O queijo curado de Serpa é apreciado e reconhecido para lá dos limites do concelho.
A sua produção a partir de leite de ovelha e de cabra motiva a continuidade da criação de ovinos e caprinos neste território e em zonas próximas.
A paisagem revela áreas onde a pastorícia teve e continua a ter lugar. Era comum os montes terem áreas de pasto e espaços destinados à produção de queijo, as rouparias, onde todo o processo era assegurado pelos roupeiros que detinham um saber-fazer pleno de subtilezas e sensibilidades.

Rouparia

A rouparia era o espaço onde se produzia queijo.
No conjunto de edifícios que compõem os montes, existia uma área destinada a esta função.
As grandes explorações agrícolas tinham extensas áreas de pastagem aproveitadas para a criação de gado ovino
e caprino. Para fazer queijo era usado o leite dos animais que tinham crias. O rebanho de ovelhas destinado à ordenha
era chamado de alavão.
O nome de rouparia advém do uso de uma grande quantidade de panos em diversas fases do processo de fazer queijo.
Os coadeiros do leite, de lã grossa, eram usados para não deixar passar impurezas para o queijo. Juntamente com os coadores de metal, os panos faziam a filtragem do leite, que ficava mais limpo por quanto mais panos dobrados passasse.
Após o processo de espremer a coalhada nos cinchos com as francelas, eram necessários outros panos para cintar o queijo,
as chamadas cintas, de modo a iniciar a operação de secagem sem deformar.
As fraldas eram outro tipo de panos que se usavam para escorrer o soro e fazer requeijão. No final, os panos tinham de ser lavados e postos a secar neste espaço, que se enchia de “roupa”. [CF]